Ontem foi o Dia Internacional da Mulher, uma data muito importante e que merece ser lembrada todos os dias, então já deixo os meus parabéns à todas as mulheres.

Nesse é possível ser abordado vários assuntos importantes, mas como homem, quero me resumir em assuntos que me aprecem na clínica, onde como psicoterapeuta frequentemente recebo na clínica pessoas que dizem sofrer de baixa autoestima, sendo a mulher quase que 100% delas.

A mulher de fato sofre muito mais cobrança sobe sua imagem, a nossa sociedade machista, com modelo patriarcal exerce na mulher várias pressões e opressões, modelos e formas de ser que geram muito sofrimento na mesma, afetando assim sua identidade. Muito se fala dessa autoestima, que todos devem ter, como se fosse um botão que a pessoa aperta e tudo se resolve. Saber o que deve ter ou como ser, não muda como a pessoa se sente, entender como o “processo” ocorreu, sim, poderá ajudar a pessoa perceber o que aconteceu e o que pode ser feito, então hoje irei falar sobre Autoestima. Vamos começar entendendo algumas coisas como:

O que é Autoestima? É um sentimento e “percepção” de valor que a pessoa tem de si. Como ela é recebida pelas outras pessoas de sua convivência, de como elas reagem diante de suas manifestações no ambiente, o que pode resultar tanto em um conceito positivo como negativo de si mesmo.

Quando a Autoestima começa a ser formada? Nenhum ser humano traz consigo, ao nascer, qualquer conceito ou sentimento a seu respeito e muito menos ideias sobre bem ou mal, bom ou ruim, feio ou bonito, grande ou pequeno, mas, em pouco tempo, consegue perceber se é amado ou não, se é aceito ou não pelo seu meio, ou seja, a criança ela não consegue entender as coisas, mas consegue “sentir” tudo. Nossa autoestima é resultado das interações sociais e familiares.

Estudos apontam, como fator determinante da construção da autoestima individual, a participação ambiental, familiar e social, especialmente os acontecimentos ocorridos nos primários anos de vida, quando a criança está sob total dependência de cuidados por parte dos adultos.

Pessoa critério: Segundo Rogers, pessoa critério, são aquelas pessoas que fazem parte do convívio da criança e que ele as tem como autoridade e das quais ela precisa receber amor e consideração positiva incondicional. Muitas vezes pessoas critério, colocam “muitas condições” para aceitar o sujeito, assim a criança começa a se sentir frágil por não ser aceita, tendo uma percepção de si como não merecedora, incompetente, etc.

Quem são essas pessoas critério? Rudio(2003) descreve que uma criança pode eleger várias pessoas como significativas ou pessoa-critério: em primeiro lugar, os pais, algum(a) professor(a), amigo(a), etc. Normalmente são pessoa que se tem mais afeto e consideração, tal confiança mais tarde é transferida para um(a) namorado(a), noivo(o), etc. Durante nossa vida, necessitamos dessas pessoas-critério e geralmente temos mais de uma pessoa critério, e continuamos a tê-la como significativa, mesmo quando nos frustra a consideração esperada.

Baixa autoestima como herança: Sheehan(2005) afirma que o comportamento dos pais é um fator de grande influencia no comportamento dos filhos, a autoestima deles é diretamente transmitida, tendo em vista que o aprendizado da criança ocorre com base na imitação do comportamento dos pais. A insegurança dos pais, pode afetar a criança, levando-a a não se sentir boa o bastante, evoluindo tais crenças, que aos poucos farão parte de sua identidade.

Ambiente formador de baixa autoestima: Celmes(1995) afirma que um importante contexto formador de baixa autoestima é a escola e a família. Bulling, racismo, discriminações de todo tipo, é algo que vai se fixando no íntimo da pessoa, até o ponto em que a pessoa incorpora como seu, passando a se perceber e se comportar como tal. Nos comportamos mediante aquilo que acreditamos, nossas crenças são afetadas pela nossa percepção e nossas percepções nem sempre são reais e podem facilmente ser distorcidas.

O contexto afeta a forma como a pessoa se percebe. Em algumas tribos, a mulher mais linda é a que tem mais argola no pescoço. Em Mautitânia, as mulheres mais gordas, são as mais atraentes, nos E.U.A. e Brasil, as mulheres magras são as mais lindas. Então perceba que a beleza depende do contexto cultural, então o “problema não é a pessoa” que não se encaixa no “padrão de beleza”, pois nem o padrão segue um padrão. O problema estar, no meio em que você convive e como você é afetado por ele.

Pessoas com autoestima baixa, são aquelas que incorporaram a dependência da opinião dos outros na sua forma de ser logo na infância, deixando assim de perceber suas reais potencialidades e desenvolve-las, de perceber suas reais necessidades, e satisfaze-las, sentindo um vazio que nunca é satisfeito realmente, e com sua percepção distorcida de sua imagem, sua forma de ser fica distorcida e ela cresce se achando inadequada, carente e assustada seja onde for, se sentindo “desvalorizada”.
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Não existe passo a passo para que melhore a sua autoestima, pois não existe um passo a passo para mudar uma forma de ser, a Gestalt-terapia acredita para haver mudança real da autoestima da pessoa, deve-se ampliar a consciência dela, sendo possível compreender como ela é afetada e como ela foi construída, fazendo com que o sujeito desenvolva a capacidade experimentar o prazer e a responsabilidade de ser autônomo de sua vida. Caso você sete que está sofrendo, busque ajuda profissional com um Psicólogo Gestalt-Terapeuta.

Gleydson Henrique Pontes de Oliveira; Psicólogo Clínico e Escolar; CRP: 11/12538