Regional
Mestre da Cultura mantém viva tradição dos ladrilhos hidráulicos
Cimento branco, pó de pedra, areia grossa, areia fina, cimento comum e o pigmento. Como uma “receita de bolo”, é assim que Jaime Arnaldo Rodrigues, 76, mais conhecido como Seu Jaime, classifica a fabricação de ladrilhos hidráulicos que enfeitam casas, fazendas, praças e igrejas. O artesão ou construtor, natural de Barbalha, passou mais de 40 anos produzindo o mosaico e sua oficina permanece de pé, na ativa. Ano passado, por causa do seu trabalho, foi reconhecido como Tesouro Vivo da Cultura Cearense.
Com origem no fim do século XIX na Europa, o ladrilho hidráulico é um tipo de revestimento artesanal feito à base de cimento, cuja utilização era comum em pisos e paredes de praças e casas. Diferentemente da telha e do tijolo que são levados ao forno, a peça, depois de preparada, descansa por 24 horas e é submergida na água por mais oito horas, até ficar armazenada por mais alguns dias na sombra. Um trabalho manual, cansativo.
Este ofício, Jaime carrega desde os 17 anos quando saiu do sítio Venhaver, na zona rural de Barbalha, e começou a trabalhar na pequena fábrica de mosaicos fundada em 1956. Inicialmente, foi registrado como “prensista”. “Eu era servente por seis meses, depois fui aprender”, lembra. Na época, os ladrilhos viviam seu auge. A procura era grande. “Era um rojão danado. Muito serviço. Mas o cara novo tem que ter muita disposição. Aguentei lá, porque eu morava no sítio e era pior”.

A crescente procura por ladrilhos hidráulicos acontecia, pois estes seguiam uma nova tendência: a utilização de cores. As formas, que criam imagens nos chãos e paredes, foram fabricadas por um metalúrgico francês e trazidas de São Paulo. O sucesso fez o empresário João Gonçalves abrir uma nova filial em Brejo Santo, em 1963, que atenderia aos municípios vizinhos e também aos clientes da Paraíba e de Pernambuco. “Fui pra lá com mais oito rapazes e cinco prensas”, recorda Jaime. O empreendimento durou pouco tempo, pois, parte do prédio acabou desabando no ano seguinte.
A chegada da cerâmica prejudicou as vendas de mosaico, principalmente, por ser comprado por um preço menor. “Foi ela que derrubou o negócio. Chegou barata, bonita. Caíram em cima”, lembra. A fábrica de ladrilhos de João fechou em 1979. Foi aí que Jaime largou o cimento e foi trabalhar como vendedor crediarista de roupas. “Saía vendendo roupa aqui nos sítios. Me danava com a mercadoria nas costas e saía a pé”, lembra.
Fonte: Diário do Nordeste
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