Os sinais de destruição da vegetação são visíveis. As barreiras estão sem proteção, a cada cheia ocorre perda de terreno (áreas de cultivo) e em alguns pontos o curso da água foi modificado fotos: Honório Barbosa

Os sinais de destruição da vegetação são visíveis. As barreiras estão sem proteção, a cada cheia ocorre perda de terreno (áreas de cultivo) e em alguns pontos o curso da água foi modificado fotos: Honório Barbosa
Os sinais de destruição da vegetação são visíveis. As barreiras estão sem proteção, a cada cheia ocorre perda de terreno (áreas de cultivo) e em alguns pontos o curso da água foi modificado fotos: Honório Barbosa
Para conter o problema a prefeitura começou a desenvolver um projeto socioambiental de recomposição do lugar

Nos últimos anos, há um avanço da degradação da mata ciliar do Rio Jaguaribe, que corta este município. Os sinais de destruição da vegetação são visíveis. As barreiras estão sem proteção, a cada cheia ocorre perda de terreno (áreas de cultivo) e em alguns pontos o curso da água foi modificado.

Para conter esse tipo de degradação, a secretaria do Meio Ambiente em Iguatu começou a desenvolver um projeto socioambiental de recomposição da mata ciliar do Rio Jaguaribe, no trecho de mais de 30 km que corta esse município.

A ideia é incentivar o plantio de árvores nativas em parceria com os proprietários de terra que margeiam o rio. “A degradação está matando o velho rio. Antes as barreiras eram protegidas por matas”, observa o agricultor, Pedro Rodrigues.

Até a década de 1970, a degradação era contida. Depois, a destruição da mata ciliar, a retirada diária de areia das barreiras, a colocação de lixo e de entulhos contribuíram fortemente para o avanço da destruição das árvores nativas nas margens do rio.

O agricultor Francisco Eliomar lamenta. Ele viu a mata e a água limpa desaparecerem por causa das agressões. “Aqui era terra firme, tinha mata e havia o conhecido poço comprido que nunca secava. A gente tomava banho no inverno e no verão, mas hoje só há terra seca e esgoto que vem da cidade”, contou.

O engenheiro agrônomo e ambientalista, Paulo Maciel, acompanha há mais de 20 anos essas transformações e lamenta as agressões sofridas pelo Rio Jaguaribe. “O quadro é crítico”, avalia.

A Secretaria de Meio Ambiente do município de Iguatu elaborou o projeto para salvar o rio. “A proposta é trabalhar a recomposição da mata ciliar, proteger o rio, as encostas e beneficiar os produtores rurais”, explica Maciel. O projeto conta com um viveiro de reprodução de plantas nativas, implantado após doações de sementes, que estão sendo cultivadas.

Depois, as mudas serão doadas aos agricultores para que eles façam o replantio da mata às margens do Rio Jaguaribe. Inicialmente, serão distribuídas 25 mil mudas. “Esse é o primeiro passo. A recuperação de toda a área é um processo longo, que requer mobilização social e educação ambiental”, diz Maciel.

Palestras em escolas e nas associações de moradores sobre a temática da degradação e educação ambiental serão realizadas. O Rio Jaguaribe é considerado o coração hídrico do Estado. Nele, estão os dois maiores açudes: o Castanhão e o Orós. É o maior curso de água do Ceará, com 633 km de extensão.

Dimensão

O Jaguaribe também ficou conhecido como o maior rio seco do mundo, porque em épocas de estiagem secava completamente. Entretanto, depois de construção de reservatórios houve a sua perenização. Nos últimos 20 anos, ocorreram discussões acerca da degradação e destruição da mata ciliar do Rio Jaguaribe, entretanto nenhuma ação concreta foi implantada até agora.

Órgãos públicos e organizações não governamentais debateram projetos, mas sem continuidade e eficácia. O primeiro passo pode ser a tomada de consciência. Com isso pode-se evitar, por exemplo, a poluição e o desmatamento das matas ciliares do Rio Jaguaribe, que permanecem como principal preocupação de instituições ligadas ao meio ambiente em Iguatu.

A situação vem se agravando a cada ano e faltam ações concretas para reverter o quadro de devastação. O Jaguaribe, hoje, é considerado um rio morto. Os técnicos que trabalham em instituições cujas ações estão ligadas ao meio ambiente mostram que a cada ano, a poluição do Rio Jaguaribe, que recebe esgoto de dezenas de cidades, e a destruição de suas matas ciliares avançam em ritmo crescente.

“Infelizmente, as áreas de preservação são afetadas e a situação se agrava a cada ano”, observa o chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) de Iguatu, Fábio Bandeira.

Mostra que caçambeiros insistem em extrair areia das barreiras do rio, as áreas de preservação permanente, e os donos de terra destroem a mata ciliar para ampliar área de plantio. Quem percorre as margens do Jaguaribe, em Iguatu, observa com facilidade o avanço da destruição das barreiras. A cada ano, ocorre alargamento do leito e a destruição de áreas agrícolas.

Até a década de 1970, o Rio Jaguaribe ainda guardava vegetação nativa, as barreiras eram protegidas pelas matas ciliares e o índice de poluição era reduzido. “Hoje o leito do rio está muito largo, as barreiras caíram e a destruição é crescente. É preciso que se faça alguma coisa”, diz o agricultor, Francisco Oliveira.

A observação do trabalhador rural reflete a necessidade de ações concretas. Além da destruição de suas matas ciliares, o Rio Jaguaribe recebe diariamente despejos de esgotos de dezenas de cidades e centenas de vilas e distritos rurais.

Os dejetos seguem para o Açude Orós, o segundo maior do Ceará. A cidade de Iguatu, polo regional do Centro-Sul, é uma das grandes poluidoras do Jaguaribe.

Mais informações:

Secretaria do Meio Ambiente de Iguatu, 

telefone: (88)3566.7925

Escritório Regional do Ibama em Iguatu

Telefone: (88)3581.2349

Fonte: Diario do Nordeste