Até o início da tarde desta sexta-feira, 10, foram observados 60.6 milímetros (mm) de chuvas neste mês de junho no Estado. O Ceará chega à melhor marca já registrada no período, desde 2013. Em comparativo anual, de 2000 a 2022, apenas os anos de 2004, 2009 e 2013 apresentam junhos mais chuvosos.

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) destaca, no entanto, que os dados do atual junho são parciais e ainda podem passar por alterações ao longo dos próximos 20 dias. Mesmo com boa quantidade de chuvas em apenas dez dias, o órgão explica que ainda não é possível afirmar que o mês irá superar a média histórica.

“Os dados de precipitação de junho de 2022 ainda são parciais, já que consideram apenas os dez primeiros dias, assim, é prematuro apontar como ficará o acumulado das chuvas no mês”, explica Meiry Sakamoto, gerente de meteorologia da Funceme.

Em 2004, 79.4 mm foram observados durante o sexto mês do ano, sendo o maior acumulado no Estado durante o período, entre os anos de 2000 e 2022. Logo em seguida está junho de 2009, com 65 mm de chuvas. Por fim, o mês de junho de 2013, com 61 mm.

No Ceará, os meses da quadra chuvosa vão de fevereiro a maio. Já os meses de junho e julho fazem parte do período de pós-estação. Nessa época, o volume de precipitações é menor, quando comparado ao observado durante o período chuvoso.

Questionada sobre o porquê das precipitações seguirem durante o atual mês de junho, mesmo após o fim da quadra chuvosa, Sakamoto explica que as chuvas foram ocasionadas por áreas de instabilidade formadas, principalmente, sobre o oceano Atlântico, próximo à costa cearense.

Já no interior do estado, as condições locais como temperatura e umidade elevadas contribuíram para a formação das nuvens de chuva. Sakamoto destaca, ainda, que as chuvas não estão distribuídas de maneira uniforme no território cearense.

“Áreas próximas à faixa litorânea, como a região do litoral de Fortaleza, receberam mais precipitações”, destaca. De acordo com os dados da Funceme, a média observada de precipitações no litoral de Fortaleza, nos dez primeiros dias de junho, é de 118.4 mm. O Cariri, por exemplo, possui a menor média acumulada dentre as outras macrorregiões estaduais, com 47.9 mm.

Chuvas aumentam aportes hídricos

As boas precipitações de junho renderam avanços positivos na situação hídrica do Estado. De acordo com os dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o acumulado nos reservatórios cearenses saltou de 38,20% para 39,09% em apenas dez dias.

Neste mês, o aporte recebido nos reservatórios cearenses foi de 4,26 bilhões (bi) de m³ para 4,1 bi m³. Durante o período, o número de açudes sangrando também aumentou. No 1º dia do mês eram 40, já no dia nove, 44 reservatórios apresentavam sangria.

O titular da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Francisco Teixeira, diz que o bom volume de chuvas já registrado neste mês é um ponto fora da curva em relação à média história. “Em junho as precipitações, tradicionalmente, ficam bem abaixo da média. Realmente é algo incomum o que está acontecendo neste ano”, pontua. A continuidade das chuvas, acrescenta o secretário, garante reservas hídricas cada vez mais volumosas aos reservatórios em todas as regiões do Estado, inclusive no Sertão Central e Inhamuns, onde as chuvas são mais escassas.

“A grande surpresa, para nós, foi os aportes nos açudes do Sertão Central. Até o fim da quadra chuvosa, não havia carga significativa nos reservatórios desta região, mas agora em junho, os níveis subiram, ainda não muito representativo, mas suficientes para garantir o abastecimento das cidades até a próxima quadra chuvosa”, assevera Teixeira.

De acordo com a Cogerh,  em junho o número de açudes com volume morto —abaixo de 5%— diminuiu de 12 para 10. Já a quantidade de barragens totalmente secas permaneceu a mesma , são seis.

Média de precipitações de junho dos últimos 22 anos:

2000 – 34.9 mm
2001 – 35.6 mm
2002 – 39.1 mm
2003 – 49.3 mm
2004 – 79.4 mm
2005 – 42.8 mm
2006 – 45.8 mm
2007 – 30.1 mm
2008 – 18.1 mm
2009 – 65 mm
2010 – 26.1 mm
2011 – 28.9 mm
2012 – 12.5 mm
2013 – 61 mm
2014 – 9.1 mm
2015 – 33.7 mm
2016 – 14.8 mm
2017 – 21.7 mm
2018 – 10.6 mm
2019 – 27.6 mm
2020 – 30.4 mm
2021 – 16.1 mm
2022 – 60.6 mm (em 10 dias)

Fonte: Funceme e O Povo