Pela primeira vez, Ceará e Fortaleza dão importância à competição e aumentam nível do torneio. Antigos favoritos terão que correr atrás para voltar a ser campeões.

Durante sete edições, o futebol do Interior dominou a Taça Fares Lopes. Foram quatro títulos do Cariri (Guaraju, Barbalha e Icasa), um da região Norte (Guarany de Sobral) e dois da Zona Metropolitana (Horizonte). Durante todos esses anos, os grandes Ceará e Fortaleza trataram a competição como oportunidade de colocar jovens valores das categorias de base pra jogar, já que os clubes sempre estavam garantidos na Copa do Brasil (vaga assegurada ao campeão do torneio).

No entanto, 2017 apareceu como grande ameaça à hegemonia do Interior. O Fortaleza ficou fora da decisão do estadual e dificilmente conseguirá disputar a próxima Copa do Brasil via ranking da CBF. Assim, o Tricolor de Aço precisa conquistar a vaga com o título da Taça Fares Lopes. Mas não é só isso. A rivalidade histórica tem feito o Ceará utilizar vários titulares, demonstrando, veladamente, o interesse em “atrapalhar” o objetivo do rival.

Com orçamentos bem maiores que os interioranos, os clubes da Capital surgem como fortes concorrentes pelo título, como já ocorre no Campeonato Cearense. Mesmo assim, algumas equipes investiram pensando em conquistar a Fares Lopes. O atual campeão Guarani de Juazeiro manteve a base do time que disputou a Série D do Campeonato Brasileiro. O Iguatu fez contratações pontuais e tem um time bastante experiente. Apesar dos problemas financeiros, Icasa e Horizonte conseguiram montar elencos competitivos.

Hegemonia ameaçada à parte, o nível técnico do torneio deste ano, necessariamente, aumentou. Talvez, a “chegada” dos grandes tenha o poder de transformar a competição, sempre colocada à margem durante os Campeonatos Brasileiros. Discussões para o crescimento da competição podem surgir e a Fares Lopes poderia alcançar um patamar superior. A dúvida é saber se a “Festa do Interior” vai conseguir resistir ao poderio de Ceará e Fortaleza.

Fonte: Globo Esporte