Oficiais das forças especiais da Guiné afirmaram neste domingo (5) ter capturado o presidente Alpha Condé. Segundo um comunicado enviado em vídeo à AFP, o grupo conquistou a capital Conacri e “dissolveu” as instituições, além de anunciar um toque de recolher em todo o país e fechamento das fronteiras aéreas e terrestres. No vídeo, o chefe das forças especiais, coronel Mamady Doumbouya, informa que estão dissolvidos “a Constituição, as instituições e o governo”.

Condé estava nos meses iniciais de seu terceiro mandato como presidente da Guiné. No cargo desde 2010, ele foi o primeiro mandatário a ser eleito no país, após séculos como colônia francesa e décadas de governos ditatoriais. Apesar de ter sido reeleito em 2015 e 2020, Condé enfrentava acusações de corrupção e de ter fraudado as eleições, e estava politicamente isolado.

Pela manhã foram ouvidos tiros no bairro central de Conacri, onde ficam os principais prédios do governo. O Ministério da Defesa chegou a afirmar que a tentativa de golpe havia sido frustrada pela guarda presidencial. Algumas horas depois, porém, as forças especiais divulgaram o vídeo informando a captura de Condé.

Na noite de domingo, o grupo militar tomou a sede do canal de TV estatal RTG e anunciou que implantaria medidas para estabelecer um novo governo. “Criaremos um sistema que não existe, e devemos fazer este sistema juntos”, disse Doumbouya.

Organismos internacionais condenam golpe em Guiné

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, condenou “veementemente” o golpe na Guiné e exigiu “a liberação do presidente” Condé. O presidente da União Africana (UA), Felix Tshisekedi, e o presidente da Comissão da UA, Musa Faki Mahamat, condenaram “qualquer tomada de poder pela força” e exigiram a libertação “imediata” do presidente, em declaração conjunta em que solicitaram uma reunião de emergência da organização.

A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) também condenou “nos termos mais enérgicos esta tentativa de golpe” e exigiu o “respeito pela integridade física” do chefe de Estado guineense e a sua libertação imediata. Também pediu “um retorno à ordem constitucional, sob pena de sanções”.

Fonte: O Povo