Os governadores dos nove estados do Nordeste rechaçaram fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na qual incentiva a população a entrar em hospitais e filmar leitos de internação. “Não é invadindo hospital e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”, diz carta do Consórcio do Nordeste, composto pelos chefes dos Executivos estaduais da Região, publicada na noite de ontem, 12. Entidades de saúde também o criticaram.

Conforme o texto, a marca de 345 mil brasileiros recuperados da Covid-19 foi resultado da ampliação da rede pública de saúde executada pelos Estados. “O Governo Federal adotou o negacionismo como prática permanente e tem insistido em não reconhecer a grave crise sanitária enfrentada pelo Brasil, mesmo diante dos trágicos números registrados”, diz a carta.

Para o Consórcio, o estímulo à invasão de hospitais “choca”, “indo de encontro a todos os protocolos médicos, desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco, principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde”.

O grupo considera preocupante “ameaças políticas reiteradas e estranhos anúncios prévios” de operações policiais caracterizadas pelo grupo como “espetáculos”. “Destacamos que todas as investigações devem ser feitas, porém com respeito à legalidade e ao bom senso. Por exemplo, como ignorar que a chamada ‘lei da oferta e da procura’ levou a elevação de preços no mundo inteiro quanto a insumos de saúde?”, questionam.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) disse que o ataque “sistemático” do governo a instituições e servidores públicos e a “priorização escancarada dos interesses do mercado” é ainda mais cruel no contexto de pandemia. Segundo a nota, o governo continua assumindo sua atitude genocida e se coloca como adversário da ciência. “Isso demonstra total desprezo pela vida da população”.

Seguindo postura incitada por Bolsonaro, os vereadores Sargento Reginauro (Pros), Julierme Sena (Pros) e Márcio Martins (Pros) tiveram entrada barrada ontem no Hospital de Campanha do PV, em Fortaleza. Eles alegaram que queriam fiscalizar a unidade a fim de comprovar se os leitos estavam vazios. Os três insistiram em entrar e a Polícia Militar precisou ser acionada. Imagens dos parlamentares discutindo com servidores e com policiais circularam nas redes sociais.

Segundo a Prefeitura de Fortaleza, a entrada dos vereadores foi barrada pois eles não tinham autorização para trânsito dentro da área hospitalar. A gestão destaca ainda que os vereadores não fizeram comunicação prévia da vistoria, e que a decisão judicial que traziam dizia respeito à obra de construção do hospital, e não ao funcionamento da unidade em si.

Fonte: O Povo