Curiosidades
Evidências em caverna indicam que o homem moderno e os neandertais coexistiram bem antes do que se pensava
O homem moderno pode ter chegado à Europa bem antes do que se pensava, inclusive coexistindo com os neandertais (Homo neanderthalensis) da época, de acordo com evidências encontradas na Gruta de Mandrin, uma caverna e sítio arqueológico na França.
Antes do novo estudo, publicado no Science Advances, acreditava-se que as duas espécies se encontraram apenas há 46 mil anos, na Bulgária.
“Essas descobertas oferecem evidência arqueológica que esses primos humanos podem ter coexistido nesta mesma região europeia, na mesma época”, disse o time de pesquisadores da Europa e EUA, em comunicado. Alguns dos restos identificados datam de 54 mil anos atrás – quase 10 mil anos antes do que os encontros mencionados na Bulgária.
“Isso aprofunda de maneira significativa a era onde os humanos modernos colonizaram a Europa”, disse Michael Petraglia, um expert na pré-história humana pelo Instituto Max Planck da Alemanha. Petraglia não está envolvido no estudo.
Os pesquisadores dizem ter passado cerca de 30 anos investigando todos os cantos da caverna, tendo encontrado instrumentos que não conseguiram determinar como sendo nem dos neandertais (Homo neanderthalensis) nem dos homens modernos. Entre os artefatos encontrados, estão até mesmo algumas ponteiras usadas por Homo sapiens – nossos mais próximos parentes – para cortar e rasgar, como se fossem lanças.
Ferramentas parecidas foram vistas no Líbano, há mais de 3 mil km de distância, o que sugere que humanos mais modernos, com uma cultura nômade, viajaram pela região mediterrânea.
Os estudiosos não identificaram nenhum tipo de interação cultural direta entre as duas espécies de homens, mas a pesquisa aponta para uma “troca rápida de ocupantes” da caverna em questão. Em outras palavras, quando os neandertais saíram, não demorou muito até que os humanos modernos entrassem. Extrapolando as coincidências, é possível, segundo o estudo, que algum encontro tenha ocorrido.
O estudo agora servirá de base para que outros pesquisadores analisem a região, tida como um pólo migratório da pré-história humana, a fim de encontrar outras informações dos dois grupos.
Fonte: Olhar Digital
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