Iguatu
Estação de Tratamento Abandonada: Supostos esquemas de favorecimentos e más gestões no SAAE intensifica crise do saneamento em Iguatu
Durante meses, nossa equipe investigou a grave situação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Iguatu. O órgão, que deveria garantir o saneamento da cidade, enfrenta um colapso administrativo e operacional, marcado por irregularidades que comprometem o meio ambiente, os cofres públicos e a saúde da população.
Promessas não Cumpridas e Colapso Financeiro
O SAAE foi apresentado como peça-chave nas obras de saneamento financiadas pelo empréstimo de R$ 300 milhões da Corporação Andina de Fomento (CAF), prometendo elevar a cobertura de esgoto de 15% para 43%. No entanto, nenhuma melhoria foi implementada e, devido ao não pagamento dos juros, os repasses foram suspensos através de comunicado da CAF à Prefeitura e ao Governo Federal em fevereiro de 2025, em mais um furo do jornalismo da Mais FM, na atual gestão comandada pelo prefeito Roberto Filho. O problema se agravou desde a gestão de Ednaldo Lavor, e a autarquia, diante do caos financeiro e estrutural, ainda levará muito tempo para se recuperar. Enquanto isso, a população continua pagando pelo serviço de esgoto, mesmo sem que o devido tratamento seja feito.
Estação de Tratamento em Ruínas
Nossa apuração revelou que a Estação de Tratamento de Esgoto encontra-se completamente abandonada. As piscinas de decantação, essenciais para o tratamento adequado dos resíduos, estão seriamente avariadas e apresentam vazamentos, permitindo que dejetos escorram diretamente no pátio e terminam contaminando o meio ambiente e inclusive servidores, contaminando o solo e a água. Há indícios de que o material coletado por caminhões limpa-fossa está sendo descartado irregularmente, sem qualquer tratamento adequado.
Favorecimento e Uso Indevido de Recursos Públicos
A crise no SAAE não se limita à ineficiência dos serviços. Nossa investigação apontou que:
- Máquinas pesadas, caçambas e funcionários da prefeitura são utilizados para limpar os tanques da estação, favorecendo empresas privadas de limpeza de fossas.
- Há relatos de supostas cobranças indevidas para despejo de resíduos na estação, sem transparência sobre a destinação dos valores arrecadados.
- A estrutura pública é usada para interesses particulares, enquanto o saneamento público segue paralisado.
- Funcionários que tentam seguir normas e regulamentações são perseguidos, enquanto determinadas empresas e indivíduos recebem privilégios.
O Peso no Bolso do Cidadão
Além da desordem administrativa, a população continua arcando com um serviço inexistente. A taxa de esgoto é cobrada regularmente, apesar da inoperância da estrutura. Enquanto isso, os recursos públicos seguem sendo desperdiçados sem qualquer prestação de contas.
Outro problema alarmante é o descarte inadequado dos resíduos sólidos. Em vez de serem reaproveitados para compostagem, produção de biogás ou biossólidos para recuperação ambiental, a borra resultante da evaporação do material estaria sendo despejada irregularmente no lixão da cidade, agravando os impactos ambientais.
O que se observa é um esquema de má gestão, desvio de função e suposta apropriação indevida de recursos públicos, sem qualquer fiscalização efetiva para coibir tais práticas. Iguatu, que deveria avançar no saneamento, permanece estagnada, vítima do descaso e de suposta corrupção.
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