Lei prevê que jornada seja de 8 horas diárias e 44 horas semanais, mas empresas podem reduzir carga horária; Islândia testou uma semana de trabalho de apenas quatro dias e o sucesso foi ‘esmagador’.

A Islândia testou uma semana de trabalho de apenas quatro dias e o sucesso foi “esmagador”, segundo pesquisadores. O resultado foi que a produtividade foi a mesma ou melhorou na maioria dos locais de trabalho. Além disso, os trabalhadores relataram se sentir menos estressados ou com menor risco de esgotamento. Houve ainda melhora na saúde e maior equilíbrio entre vida profissional e familiar.

A jornada semanal de 40 horas passou para 35 ou 36 horas, com os trabalhadores recebendo a mesma remuneração.

Segundo a Autonomy, grupo de pesquisa sobre o futuro do trabalho do Reino Unido, e a Associação Islandesa de Sustentabilidade e Democracia, responsáveis pelo estudo, a experiência, realizada entre 2014 e 2021, mostra uma série de benefícios. Entre eles menos estresse para os trabalhadores, maior qualidade dos serviços, sem afetar a produtividade, e mais tempo para desfrutar com amigos e familiares.

Mas seria possível implantar este cenário no Brasil? Para a gestora de carreira e neurocientista Andrea Deis, este momento pandêmico é apropriado para se pensar em uma virada de chave. Principalmente pela valorização do sistema híbrido (presencial/virtual) de trabalho ou da instituição do home office em diversos segmentos.

A especialista é favorável à redução de jornada de trabalho, por permitir um maior equilíbrio da vida pessoal e profissional. Mas, para que esse cenário se concretize, é necessária uma mudança de mentalidade dos empresários, uma vez que boa parte deles ainda tem uma relação com o trabalhador marcada pelo auto controle e monitoramento. “É preciso mudar isso, estabelecendo uma relação de confiança, dando autonomia e responsabilidade ao colaborador, exigindo entrega e não horas trabalhadas”, diz Andrea.

Em uma jornada mais flexível, mudanças de posicionamento são esperadas também por parte dos trabalhadores. Para Andrea, essas mudanças geram também outro padrão de competitividade, no qual os profissionais são estimulados a apresentar uma maior eficiência. ” Será necessário ter uma visão mais abrangente, não relacionada apenas à execução de tarefas, mas a entregar algo a mais: uma solução, uma oportunidade, algo encantador”, exemplifica.

Os trabalhadores podem até apresentar uma reação inicial de medo ou um senso de incapacidade diante de uma situação nova como esta, segundo Andrea. “Mas, aos poucos, a maior autonomia, que é a base para uma relação de entrega com o empresário, independentemente da jornada de trabalho executada, faz aumentar a autoconfiança e a autoestima, resultando em um profissional muito mais produtivo”, finaliza a gestora.

PELO MUNDO

A semana de trabalho de quatro dias é visto como uma tendência na Europa e vai ganhando reflexos no Brasil, como mostra o Estadão. Empresas como Winnin, AAA Inovação e Crawly entenderam que , a partir da demanda dos funcionários, poderiam tentar adaptar a rotina de modo que não se perdesse produtividade, mas houvesse um ganho de bem-estar e satisfação entre os talentos.

Para isso, as startups otimizaram a comunicação, eliminaram reuniões improdutivas e mantiveram as oito horas de trabalho diárias, sem redução de salário. O benefício  transformou positivamente o dia a dia dos colaboradores e provou que funcionários felizes produzem mais.

Nos Estados Unidos, pesquisa aponta que 80% dos trabalhadores querem uma semana de 4 dias de trabalho.

Ideia de menos dias nas empresas não é nova, mas a pandemia e o excesso de trabalho que veio com ela revigoraram os defensores da proposta.

Uma lição importante do fenômeno que vem acontecendo nos Estados Unidos, chamada de “a grande demissão” está se tornando cada vez mais clara: é hora de cortar o dia da semana de trabalho.

Os trabalhadores americanos estão pedindo demissão em números recordes – 4, 3 milhões em agosto e outros 4.4 milhões em setembro. Os gerentes de todos os setores estão tendo problemas para contratar mesmo quando aumentam os salários e oferecem incentivos.

MATÉRIA DA BBC EXPLICA O FENÔMENO