Aos pedaços, a escultura ‘Mulher Rendeira’ foi localizada. A obra sumiu durante a reforma de prédio do Banco do Brasil no Centro de Fortaleza. O caso repercutiu e gerou reclamações nas redes sociais. A escultura, de autoria do pernambucano José Corbiniano Lins, ficava localizada na parte externa do banco, no cruzamento da Rua Barão do Rio Branco com a Avenida Duque de Caxias, e podia ser observada por quem passava.

Os destroços foram recuperados pelo professor José Viana, que soube do que havia acontecido momentos depois da retirada da obra. Ele conseguiu recolher os pedaços e levar para casa em sua kombi.

No início da tarde da segunda-feira (1º), um vídeo com os destroços da escultura passou a circular. A imagem mostra pedaços da rendeira pelo chão. É possível perceber a cabeça, as pernas e os pés da obra tão importante à cultura local

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Após o desaparecimento da escultura, entidades como o Instituto dos Arquitetos do Brasil (Departamento Ceará) e a Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) criticaram e cobraram respostas. Já nesta segunda-feira, a Coordenaria de Patrimônio Cultural e Memória da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE) informou estar em contato com a pessoa que guardou os restos da escultura e com a assessoria do banco.

“Estamos nos colocando à disposição para auxiliar no restauro da obra pela Escola de Artes e Ofício Thomaz Pompeu Sobrinho e, em último caso, a possibilidade de sua instalação na praça Luiza Távora, junto à Ceart”, apontou o titular da Secult, Fabiano dos Santos Piuba.

“Sabemos que essa não é a melhor alternativa. O lugar da obra de arte ‘Mulher rendeira’, do escultor pernambucano José Corbiniano Lins, é no jardim da agência do Banco do Brasil na Duque de Caxias, e o Banco do Brasil também já vem tomando providências para tal feito”, apontou o gestor.

Em nota, o Banco do Brasil explicou que a retirada da escultura foi “resultado de erro de execução no projeto de engenharia, que previa a remoção da escultura durante as obras exatamente para protegê-la, com sua posterior reinstalação”.

Disse ainda que mantém contato com as autoridades e intervenientes, na análise de meios para restaurar a obra, considerando os aspectos legais e artísticos envolvidos, assim como busca a sua reinstalação.

Por meio de postagem em seu perfil no Facebook, o professor José Viana relatou como conseguiu resgatar as partes da escultura. Por volta de meio-dia de sexta-feira (30), ele ficou sabendo por meio das redes sociais que a obra estava sendo demolida. Imediatamente, ele foi se certificar da situação à bordo de sua bicicleta.

“Ao chegar no local me deparei entristecido com a escultura dentro do contêiner de lixo, toda desmembrada e com alguns danos causados pelas marretadas dadas pelos operário da construção”. Viana se aproximou do encarregado da obra e pediu autorização para levar as peças. O operário chegou a informar que os pedaços seriam levados para uma estação de reciclagem no Bairro Jangurussu, onde seria vendida como entulho.

José Viana, então, foi em casa e retornou com sua Kombi para levar as peças. Ele conseguiu recolhê-las com a ajuda dos próprios operários. “Ao chegar em casa, após tirá-la da Kombi, entrei em contato com alguns amigos da área da cultura para que pudessem me orientar de forma legal como proceder”, relata. Diz ainda que, mesmo vendo a movimentação nas redes sociais, preferiu se resguardar até cumprir todos os encaminhamentos necessários. Ele procurou o 34º Distrito Policial, mas não conseguiu fazer o boletim de ocorrência presencial.

Nesta segunda-feira, José Viana foi recebido pela gerência do Banco do Brasil, que agradeceu a ele pela recuperação da escultura e afirmou que vai arcar com todo o custeio da restauração. A secretaria de Cultura de Fortaleza (SecultFor) também ofereceu ao professor acompanhamento institucional.

“Reitero que desde o início meu intuito foi de proteger a obra e salvá-la dessa situação, para que futuramente ela pudesse voltar a residir e embelezar as ruas de nossa cidade, de onde nunca devia ter saído, e isso acontecerá o mais breve possível”, conclui.

Fonte: G1 CE