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Mesmo após um ano de pandemia no Brasil, a vivência continua desigual para homens e mulheres em todo o País. Dados divulgados em pesquisa sobre a juventude brasileira durante o coronavírus mostram que mulheres entre 15 a 29 anos realizam mais atividades para autocuidado do que os homens. Mas estão mais ansiosas, exaustas, usam mais as redes sociais e demonstram cansaço de forma mais constante do que eles.

Dentre todas as condições de saúde física e emocional avaliadas na pesquisa, as mulheres ocupam a maior porcentagem entre os jovens em todas as categorias, com exceção do aumento do consumo de álcool, cigarro ou drogas que têm entre eles um ponto percentual a mais (10%) em comparação às mulheres (9%). O índice de homens que relataram não sentir reflexos na saúde física e emocional devido à pandemia também são maiores entre eles (12%) do que entre elas (5%).

Os jovens entre 25 a 29 anos detêm o maior público etário de sete das dez condições citadas: eles estão mais ansiosos, estão mais cansados, dormem mal, tiveram aumento ou perda exagerada de peso, aumentaram o consumo de álcool, cigarro ou drogas e estão mais depressivos e outras situações. Mas usam menos as redes sociais, não têm brigas frequentes em casa e pensam menos em automutilação.

A pesquisa chama a atenção para os pensamentos suicidas ou de automutilação. Mulheres entre 15 a 17 anos são o perfil que mais refletem a prática. “Esse número pode ser ainda maior, considerando a dificuldade que muitos jovens podem ter em se abrir ou compartilhar esse problema”, cita o estudo.

O índice mais alto observado entre os mais de 68 mil jovens que responderam à pesquisa foi a ansiedade (61%), no qual elas ocupam um total de 67% desse índice. Entre os jovens, sem considerar a disparidade de gênero, vem em sequência:

  • o uso exagerado de redes sociais (56%);
  • exaustão e/ou cansaço constante (51%);
  • insônia (40%);
  • ganho ou perda exagerados de peso (35%);
  • brigas frequentes dentro de casa (21%);
  • depressão (17%);
  • aumento do consumo de álcool, cigarro ou drogas (10%);
  • automutilação e/ou pensamento suicida (9%);
  • nenhuma dessas situações (7%);
  • e outras não informadas (2%);

Antes da pandemia, a estudante Gabrielle Barreto, 21, tinha uma rotina regrada entre estudos, lazer e exercícios físicos. Mas a quebra da rotina até hoje influencia seu psicológico e traz consequências negativas. “Não poder me deslocar para a faculdade, me exercitar e só depois fazer as atividades domésticas causou um desequilíbrio e sobrecarga muito grande em mim”, comenta. “Tem dias que eu me sinto indisposta e cansada sem nenhum motivo”.

A cearense chegou ao ponto de não se sentir apta para fazer atividades simples do dia a dia, além de se sentir mais sozinha por causa da falta de contatos presenciais com outras pessoas. “Não tinha o mesmo empenho de antes. E esse querer fazer, dever fazer e não conseguir fazer me causou e ainda causa muita ansiedade”.

Dentre os autocuidados que faz, Gabrielle vem aos poucos retomando rotinas de exercícios na academia e definindo horários para estudos. “Eu também tiro um tempo para leitura ou para jogar algo, não me cobrar tanto. Manter o contato com os amigos também ajuda bastante”. Entretanto, na maior parte do tempo, espera a normalidade voltar.

Como a estudante, a atividade com o maior índice de autocuidado são as atividades físicas (51%). Em seguida, vem a realização de pelo menos uma consulta médica de rotina (31%), consulta odontológica (28%), terapia ocupacional (16%), atualização do calendário de vacinas (10%), início da psicoterapia (9%), tratamentos estéticos (8%), contratação de um plano de saúde (4%) ou seguro de vida (1%) e outras (17%) ou nenhuma dessas atividades (14%).

Ao mesmo tempo que as mulheres sentem mais os efeitos da pandemia, são elas que também realizam mais atividades de autocuidado do que os homens – principalmente consultas médicas, terapias e procedimentos estéticos. Entretanto, quando pautado o recorte de raça, jovens que se declararam negros (pretos ou pardos) dizem com maior frequência não ter feito nenhuma dessas práticas.

A segunda edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus é uma iniciativa do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) com diversas parcerias, dentre elas as secretarias estaduais de juventude. O estudo conversou com 68.114 jovens em todo o Pais sobre os impactos da pandemia em suas vidas e na sociedade entre março a abril deste ano.

Fonte: O Povo