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A Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano aprovou projeto de resolução que autoriza o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a usar a força militar contra o regime de Bashar al-Assad, na Síria.

No texto, o prazo para a intervenção no país do Oriente Médio deve ser 60 dias, com possibilidade de prorrogação por mais um mês. A resolução veta o envio de forças  terrestres dos EUA.

O texto, no entanto, ainda precisa ser votado pelo plenário do Senado, o que deve ocorrer na próxima segunda-feira, dia 9. A comissão ouviu ontem, a portas fechadas, o diretor da Inteligência Nacional, James R. Clapper. Obama anunciou a intenção de atacar a Síria depois das denúncias de uso de armas químicas contra civis.

A intervenção militar na Síria divide os líderes internacionais. Os governos da França e da Grã-Bretanha divulgaram o apoio aos EUA. Mas, no Brasil, por intermédio do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, condenou-se a ação. Figueiredo ressaltou que qualquer medida militar deve ser definida pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ele acrescentou que as ações militares devem ser o último recurso a ser adotado em caso de confronto. Na semana passada, Alberto Figueiredo defendeu a busca por solução negociada. Os governos da Rússia e da China, assim como do Irã e da Venezuela, condenam a ação militar.

Iraque

Obama disse que os erros cometidos na Guerra do Iraque, de 2003 a 2011, não serão repetidos na Síria. Em visita a Estocolmo, reiterou a necessidade da intervenção e disse que a comunidade internacional “não pode ficar em silêncio” depois das denúncias de uso de armas químicas na região. “Fizemos a nossa avaliação (com o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt) e estamos de acordo que perante tal barbárie a comunidade internacional não pode ficar em silêncio”, disse Obama. Ele ressaltou que todos os cuidados serão tomados.

A guerra no Iraque foi provocada, segundo os norte-americanos, porque havia a produção de armas de destruição em massa na região. Na Síria, o argumento é que são usados armamentos químicos contra civis. “Sou uma pessoa que se opôs à guerra no Iraque. E não estou interessado em repetir os erros de basearmos decisões em informações imprecisas”, disse o presidente, ao lado do chefe de governo sueco.

ENTENDA A NOTÍCIA

A questão Síria já foi discutida em ocasiões anteriores na ONU, sem consenso no Conselho de Segurança. Dos 15 países que compõem o órgão, cinco são permanentes – EUA, Reino Unido, França, Rússia e China – e dez são rotativos.

Saiba mais

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que o Congresso dos Estados Unidos não tem o direito de aprovar uma intervenção militar à Síria.

Para ele, a decisão deve ser tomada pelo Conselho de Segurança da ONU, onde Moscou tem poder de veto.

Putin também acusou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de mentir ao Congresso sobre o papel da rede terrorista Al Qaeda no conflito, ao buscar aprovação dos parlamentares para uma ação militar.

Os legisladores americanos vão avaliar na semana que vem a ação armada na Síria após proposta do presidente Obama.

 

Fonte: Jornal O Povo