O rio Jaguaribe nasce em Tauá e banha o Estado do Ceará, incluindo nosso município, tem bacia com área de 75.669 km², sendo o maior curso de água em território cearense com 610 km de comprimento, em cujo leito foram construídos grandes açudes cearenses:o Orós, o Castanhão e o Arneiroz II.

Apresenta em sua embocadura uma zona estuarina (ambiente aquático de transição entre um rio e o mar) grande, com diversas ilhas e canais sinuosos (gamboas), podendo o canal principal atingir 900 metros de largura, além de possuir uma área de mangue com 11,8 km.

Suas áreas planas ocorrem em toda a bacia, porém isoladas entre si, como a Chapada do Araripe, a Planície do Jaguaribe, os Tabuleiros do Baixo Jaguaribe, os Tabuleiros Costeiros, a Depressão de Iguatu e a Chapada do Apodi. Não constituem grandes extensões, mas são extremamente importantes do ponto de vista econômico.

Ao longo dos anos o velho “Rio das Onças” vem sendo prejudicado com toda espécie de ataque no percurso: destruição das matas ciliares, despejos de lixo e de fossas, retirada de areia para a construção civil, de modo que se não houver um engajamento de grupos ambientalistas para parte de sua área seja recuperada, tende a se tornar uma rede de esgotos a céu aberto, em pouco tempo. Apesar disso, pouco se tem informação de movimentos preservacionistas no sentido de evitar esse desastre e, nesse intuito, nada se tem além de algumas manifestações restritas a Iguatu, sem que exista a necessária conexão com outras regiões beneficiadas com a passagem do “maior rio seco do mundo”, de maneira que se efetivasse um gerenciamento de defesa mais amplo e em caráter de urgência.

Embora Iguatu tenha se destacado, sobretudo, por meio de militantes como Neto Braga, Dauyzio Silva e alguns outros, promovendo movimentos de sensibilização no sentido de alerta à preservação, tais ações, mesmo reiteradas, parecem infrutíferas ao considerarmos sua extensão quilométrica gigante e a inércia de políticos ou de pessoas sensíveis que ergam essa bandeira que, sem exageros de expressão, atenderia melhor a ‘meio mastro’, chorando o luto de um ecossistema que aos poucos falece.