Patrícia Santiago: Colunista, Assistente Social

Meio ambiente é uma temática bastante pautada e que é o centro de muitas discussões nos diversos âmbitos sociais. É possível que até o mais indiferente ao que ela simboliza, tenha contato frequentemente com temas relacionados a desmatamento, aquecimento global, preservação, dentre outros. Isso por que o planeta está colapsando com as consequências de anos de degradação e exploração desenfreada; calor e frios intensos, crises hídricas decorrente das irregularidades das chuvas, além do aumento do nível do mar e do derretimento de geleiras, como é o caso das geleiras dos Andes tropicais que reduziu 42% em 30 anos, são exemplos de alguns sinais de que o tempo mudou.

O assunto é sério e merece ser tratado com a urgência que lhe é devida, por isso essa coluna de hoje vem, na semana do meio ambiente, trazer dados e reflexões sobre o que vem sendo feito para acelerar essa destruição em nome do lucro de poucos e também traz apontamentos em como podemos nos envolver e fazer nossa parte para frear a degradação ambiental em curso no nosso país. O Brasil possui uma das maiores biodiversidades do mundo, nossa mata atlântica que abrange 17 estados, é considerado patrimônio nacional pela constituição e também o segundo bioma mais ameaçado do planeta; estudos apontam que são desmatados 59 hectares de mata atlântica por dia. Nosso Cerrado é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo, possui mais de 6 mil espécies de árvores e mais de 800 espécies de aves, berço de nascentes essenciais ás espécies humanas e não humanas, região conhecida como berço das águas, vem sendo degradada e já perdeu 50% de sua paisagem natural nas últimas décadas em decorrência do avanço das monoculturas de soja e agropecuária.

Precisamos falar da Amazonia que está sendo desmatada e teve 10.362 km² de mata perdidas só em 2021, precisamos falar da nossa caatinga que está virando pasto. Dados apontam que só o Ceará perdeu em 35 anos 340 mil hectares de florestas e 79 mil hectares de superfície de água e estamos correndo risco de desertificação. Precisamos falar de Iguatu, que perde mata nativa ano após ano e que tem suas lagoas reduzidas e aterradas em nome da especulação imobiliária e da má gestão dos recursos naturais. Somos a terra das lagoas, possuímos no entorno de nossa cidade 11 lagoas com a estimativa de 190 espécies de aves identificadas, a mais conhecida delas é a lagoa da Bastiana, uma área de proteção permanente(APP) há mais 30 anos, a mesma passa por uma obra de urbanização que foi considerada irregular pelo Ministério Público chegando a ser paralisada, o que só aconteceu devido a mobilização de populares e ambientalistas locais que questionaram a regularidade da obra.

Não podemos deixar que a função de preservar e defender nossas vidas seja atribuída a governantes, já que são eles que vêm flexibilizando e destruindo as leis de proteção ambiental.  A consciência social de proteger e preservar deve ser alimentada em nosso cotidiano e precisamos encontrar cada dia mais aliados nessa tarefa histórica. Os próximos vinte anos serão decisivos para o futuro do planeta e como sociedade precisamos cobrar dos órgãos de proteção ambiental o cumprimento de sua função e colocar as propostas sobre o meio ambiente como critério fundamental para escolha de nossos representantes. Nesse ano votemos em deputados(as), senadores(as), governadores(as) e presidente(a) que tenham compromisso real com a preservação ambiental além de estarmos atentos para cobrar e nos manifestar pela defesa e proteção de nossos biomas.

Patrícia Santiago: Colunista, Assistente Social