Ao amigo Airton, vulgo A Velha, in memoriam

Um dia, simplesmente…
estarei morto… o natural e
banal do status viver….

Mui em breve, após partir,
esquecido… no fundo de uma cova,
o natural, ou em um túmulo, a ermo,
no acaso da vida…

Lembro-me de muitos
que se foram no cotidiano banal…
Uma senhora negra… primeiro
defunto que vi… peguei em
sua mão… não entendia o que
era morte…. a vida era nova em mim…

Medo? Curiosidade? Esperança…
às vezes o alento da esperança me
abandona… a fé não sai
por completo, mas a dúvida é
uma sombra…
o não sei é bem-vindo…

Lembranças, livros, filmes…
poemas… aulas… encontros…
noites… cultos… elas…
Eu comigo mesmo…
várias embriaguezes… a sorte
de chegar… aquela vez que não fui…
um velório de um amigo…
A cada instante o meu
se aproxima… meu Deus…

*Por Américo Neto.
Email: zeamericoneto@hotmail.com