“[…]Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é salvação
Beba desse sangue imundo
E você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo
Somos os animais na jaula[…]”
(Legião Urbana, Natália)

Vagam pelas ruas de todas as cidades um demônio… sim… uma besta semelhante a um lobisomem. Enorme, peludo, boca aberta e a língua à mostra de tal maneira que bate no próprio ouvido deste capiroto infernal. Possa ser que sejam vários em cada urbe. Vi um por esses dias… arisco, frenético e buscando a qualquer um que posso tragar com sua milenar habilidade de parolar mentiras agradáveis que amaciam o ego dos carentes que buscam pertencer a algo… Olhei bem em sua face, mas ele desviou e desceu pela rua do mercado… era noite e se perdeu nos becos escuros desta cidade. Camaradas de outras urbes também me falaram de outros espectros semelhantes a este que vi por aqui. Sabemos há tempos que eles obedecem a um ser que em tese deveria ser maior, porém no universo da mentira, ou para ser pós-moderno, digamos do fake news, este outro que coordena a devoção insaciável destes capirotos ávidos por mentiras que vagam nos trópicos, é a representação fiel do que podemos ter por mais patético, escroto, burro, tosco, desprezível, ignorante, brochante, preconceituoso, arrogante, moralista de uma moralidade falha e a essência da mentira, a saber: o Pandemônio! Ele possui dois grandes chifres à mostra para todo aquele simpatizante que lhe encontrar… Isto não causa espanto, talvez porque ele se fez como pai daqueles que vagam por várias urbes debaixo dos trópicos…

Estes espectros se multiplicaram, iguais aquela besta que vi descer na rua do mercado, embrearam-se por todos os lugares e assim como o Pandemônio que alimenta suas mentes falando tudo aquilo que parece lógica, arrotando simpatias, delírios, cortejos com sua horda de danados gesticulando com os braços em seus cavalos com pés e rabos de fogo… rugem como leões, mas são ratos de esgoto que na pedagogia da repetição do que só existe em seus egos, criaram um sentimento de que o absurdo que dizem pode ser “verdade”.

O Pandemônio e sua trupe carente, abestada, burra e sem lógica racional invadiram alguns espaços em que anjos faziam o bem e semeavam a fraternidade uns com os outros… Convenceram alguns anjos, ridicularizaram outros e tomaram os lugares de fala de anjos que se empenhavam em fazer o bem e se conduzir pela verdade…

Após isso o Pandemônio reina com essa trupe e os anjos que enganaram em prol de disseminar a ignorância, a falta de lógica, o obscurantismo e fazer vagar pelas urbes vários desses espectros que buscam tragar mais anjos que fazem o bem para seu exército de mentiras e disseminação de irracionalidades e ódios… uma verdadeira milícia travestida de honra e verdade, mas na verdade são o mais do mesmo daquilo que tanto criticam…

Agora o Pandemônio com as bestas que vagam pelas urbes ensinam aos anjos que caíram em suas parolas que é certo matar, acabar com o trabalho honesto, com as florestas, com os guardiães das matas, com os animais, com os anjos que falam a verdade, com os sacerdotes do conhecimento, pedem que rasguem os livros de História e busquem o portal “dos sábios” do Pandemônio para realmente saberem das coisas; basta seguir as redes dos portais infernais espalhadas por todos os territórios que as bestas do Pandemônio circulam, lá em dois minutos você vê uma explicação de um demônio promíscuo que se intitula filósofo, mas não tem método e de outros demônios menores que dizem que ler não serve para nada, que os anjos bons ensinaram tudo errado e só quem sabe realmente das coisas são eles, a saber: os pseudos!

O Pandemônio, os demônios que vagam nas urbes, os anjos que foram ludibriados e os pseudos formam a estrutura desta horda que maltrata os espíritos debaixo dos trópicos. Tempos difíceis… aliás, caóticos… A falta de lógica se apoderou do espírito de muitos anjos bons e os que ainda resistem são achincalhados ou até mortos por esses demônios que vagam pelas ruas, pelos anjos que foram ludibriados, pois se criou um ambiente hostil entre anjos que comungavam juntos e pelos pseudos que levam até as últimas consequência embriagados de orgulho besta e patético a mentira grotesca do Pandemônio, chefe desses tolos…
Eu vi um desses demônios que segue o Pandemônio, outra vez, dias atrás… Mais uma vez olhei em seus olhos, ele desviou; vi também um pseudo que vagava em uma instituição que antes havia muitos anjos bons, mas os que lá agora ficaram estão cheios de ódio… Este também não me olhou, desviou até o caminho e entrou em um portal que havia em um beco escuro perto do Largo da Telha… Neste momento, Legítimo de Braga vinha na direção oposta e também presenciou a fuga do pseudo e me disse: “Se preocupe não meu camarada! A base de sustentação deste império infernal está rachada! Logo, logo essas rachadinhas, a matança de anjos bons, a fome, a miséria, o fogo das matas, a falta de energia do universo e a blasfêmia proferida todos os dias com louvar à mentira! Serão cobrados! Com juros, correção e não sobrará nada deste Pandemônio, dos demônios que lhe seguem, destes pseudos e dos anjos que foram iludidos e com orgulho não se arrependeram! Tenho dito meu camarada, anote! Legítimo de Braga!” Fiquei a refletir… uma coisa me veio à mente: muitos anjos são iguais ao Pandemônio… infelizmente…

*Por Américo Neto
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