“Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: sua base ideológica é inclusiva ou excludente?”. (Paulo Freire)

Vivemos em um dualismo constante humanamente falando. Das entranhas mentais passadas para a existência em reflexões ou ações surgem paradoxos como Deus e diabo, vida e morte, céu e inferno, rico e pobre e muitos outros dualismos para nossa percepção psicológica. O maniqueísmo do Barroco ainda está aí… mesmo antes de termos consciência do fato, ele nunca deixou de existir…

Muitos dizem optar pela tal neutralidade… inventam em um esforço que chega a franzir a testa com um tom de serenidade, ar de intelectualidade forçada, aparência de entendedor de assuntos que nunca conheceu; frames, frases feitas, truísmos, jeito bonito de falar, capturado de outros tantos que também inventam conhecer, mas neutralidade ou uma terceira via, um pensamento bem moderado diferente de Deus, diabo, bem e mal, de fato não existe nessas questões meramente ideológicas… O neutro ou aquele que opta por uma conduta que se quer quase ninguém tem em termos práticos, é na verdade um hipócrita, covarde, dissimulado e outra vez covarde com os que lhe ouvem e consigo mesmo, já que tem vergonha do que pensa e acredita.

“Um terceiro vetor distinto” dos dois paradigmas ideológicos existenciais e barrocos que se opõe é um mero pensador falso e utópico também falso… Prega coisas que nem ele mesmo acredita e diz que acha melhor isso que idealiza…, mas morre de raiva e inveja de não está do lado ideologicamente que venceu… ou que sempre vence…

A maioria das pessoas dizem ansiar por liberdade, também dizem gostar da verdade…, mas não gostam de pessoas que tentam ser livres e ousam falar o que pensam…

Parte considerável dos indivíduos incautos, toscos, não leitores e imbecis de fato que passam o dia todo em redes sociais a postar asneiras todo dia e o dia todo, sentem-se um intelectual em qualquer assunto assistindo vídeos curtos ou observando memes. Qualquer um desses hoje com um celular faz um vídeo como grande conhecedor de diversos assuntos e causas.  Ao se por diante de suas próprias câmeras os tais são teólogos, políticos, filósofos, sociólogos, cidadãos de bem mais correto da cidade e sabem praticamente “de tudo”, mas dizem ser “humildes”, porém… não leram e nem leem nem a Bíblia, embora boa parte diz ser cristão fervoroso de muita fé! O egoísmo é tão intenso nesse tipo social que o próprio sabe que não sabe o que diz saber, mas representa, bem mal. Aqui há apenas um lado: o eu! Este eu é o mesmo eu humano que duela em idiossincrasias barrocas há tempos….

O conhecimento deve servir para ser compartilhado em afeto, não em soberba ou egoísmo piegas com ares e postura de pseudointelectual. O amadorismo não consegue disfarçar o que é… tem lado, tem posição, geralmente totalmente antagônica ao que tenta representar, até porque alguns que dizem ser cidadãos de bem não são de bem e nem de bens… O lado é o outro, mas eles fingem ser do bem…

Por Américo Neto
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