Americando
AMERICANDO: Dersu Uzala (1975): uma conversa sobre cinema
“Somos nuestra memoria, somos ese quimérico museo de formas inconstantes, ese montón de espejos rotos.”
(Jorge Luís Borges).
É por demais interessante como o simples é sofisticado, simbólico, atraente e belo…
Sofisticado porque o simples a depender como é narrado produz um efeito de curiosidade sobre aquelas também simples coisas contadas, as quais inevitavelmente representam uma nobreza inigualável… Dersu conhecia pegadas de jovens, velhos e animais… A tecnologia conhece com dados inputs… Dersu pelo hábito de conhecer a montanha com toda a sua linguagem silenciosa, mas visível e o mesmo tratava todos os elementos desta como gente… Ele me fez lembrar mais uma vez um tio ao qual tenho muito apreço…
A narrativa de memórias de 1923 do explorador russo Vladimir Arsenyev, adaptada para o cinema em 1975, é simbólica porque o simples fato de ser simples encanta, e Derzu conhecia mais de estratégias de sobrevivência nas selvas do que o “Campitã” (som da fala) e os subordinados deste, também militares russos. Estes estavam em uma expedição de exploração e como aquele homem baixinho que apareceu das trevas da montanha tinha uma mira mais precisa do que a deles? Ao matar o âmbar, Dersu temeu a morte…
Atraente por ser um composto extremamente relacionado entre simples, sofisticado e simbólico, além é claro, pela curiosidade produzida pelo mistério, o fantástico e por ser tudo isso essência do belo… O improvável deixa tudo muito interessante, Derzu tinha todos os aspectos para ser mais um, como o chinês que os militares russos juntamente com ele encontraram em uma cabana…; mas Derzu era belo por ser fiel, reto, verdadeiro e amigo. Livrou os militares e o próprio capitão da morte e quando 4 anos depois ao encontrar novamente o capitão, o qual estava em outra expedição, a alegria foi intensa, um êxtase daquilo que de fato representa o amor fraterno. Sem mais para não dá spoiler das obras, o livro de memórias e o longa, Derzu Uzala tinha todo o estereótipo para não ser lembrança para ninguém… Além de lembrança foi saudade. Recomendo o longa…
*Por Américo Neto
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