Tecnologia
Adolescente cria aparelho que identifica “Boa Noite Cinderela” em bebidas
O “crime facilitado por drogas”, popularmente conhecido “Boa Noite Cinderela” é um problema recorrente durante o verão no litoral do Rio Grande do Sul e em várias partes do Brasil. Por isso, a estudante do ensino médio Isabela do Reis resolveu trabalhar em algo que pudesse ajudar as pessoas a se protegerem desse golpe. Depois de um bocado de pesquisa, ela criou um protótipo capaz de testar bebidas alcoólicas e identificar a presença das “benzodiazepínicas”, o principal tipo de drogas utilizado nesses crimes. “Quando combinadas com álcool, essas benzodiazepínicas têm um efeito terrível”, disse Isabela ao TecMundo durante a Intel ISEF 2018 em Pittsburgh, nos EUA.
Esse aparelho criado pela estudante consiste basicamente em uma pulseira com um pequeno recipiente divido em duas partes. Em uma delas, é colocado um reagente encontrado por Isabela, e a outra fica vazia. Quando uma pessoa então recebe uma bebida já aberta de algum estranho, ela pode jogar um pouco do líquido dentro desse recipiente da pulseira para que ele encha as duas partes.
Alguns instantes depois, uma bebida “batizada” com drogas muda de cor. O usuário do aparelho de Isabela então pode perceber essa diferença fazendo a comparação entre o líquido presente nas duas partes do recipiente, sendo que, em uma delas, não havia nenhum reagente. O dispositivo ainda tem uma bateria, um botão e uma luz de LED para iluminar o recipiente e permitir a conferência do resultado mesmo à noite.

“Estudando essas benzodiazepínicas, eu percebi que elas possuem cloro na sua formulação química”, revelou Isabela. “A partir disso, eu comecei a estudar e encontrei um reagente adequado para fazer a detecção dessas drogas e apliquei isso em várias bebidas alcoólicas diferentes. Em todos os casos, eu notei que o reagente gera uma diferença de coloração visível a olho nu”. Como o dito reagente não pode ser colocado diretamente dentro da bebida para o teste, a estudante percebeu que era necessário desenvolver um protótipo.
Isabela dos Reis também descobriu que, estatisticamente, os homens são os mais atingidos por golpes do Boa Noite Cinderela. Criminosos normalmente embriagam pessoas do sexo masculino para facilitar o roubo de seus pertences ou mesmo as levarem para casa e, então, levarem tudo o que há de valor na residência da vítima. “As maiores vítimas são os homens, mas como as consequências são mais terríveis para as mulheres, a gente acaba tendo essa visão de que elas são as mais atingidas”, comentou Isabela.
Isabela dos Reis foi duas vezes premiada na ISEF 2018, que teve sua cerimônia de encerramento realizada nesta sexta-feira (18). Ela ficou em terceiro lugar geral da categoria de química na maior feira de ciências do mundo organizada pela Intel e ganhou uma bolsa de estudos e recebeu uma menção honrosa da Associação Norte-Americana de Estatística. Isabela tem 17 anos e cursa o ensino médio no Instituto Federal do Rio Grande do Sul.
Fonte: Tecmundo
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