Brasil
Brasil registra queda no trabalho infantil, mas 1,5 milhão ainda são afetados
O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil caiu 9,2% entre 2024 e 2025, passando de 1,65 milhão para aproximadamente 1,5 milhão. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Apesar da redução, o contingente representa 4% da população brasileira entre 5 e 17 anos.
Na comparação com 2016, quando 2,1 milhões de crianças e adolescentes estavam nessa condição, a queda chegou a 28,6%. O levantamento também aponta que o trabalho infantil atingiu o menor patamar da série histórica, iniciada naquele ano. Segundo o IBGE, fatores como políticas públicas de assistência social, aumento da renda familiar e aquecimento do mercado de trabalho podem ter contribuído para o resultado.
A pesquisa mostra que os adolescentes de 16 e 17 anos representam a maior parcela dos casos, com 58,1% do total. Em seguida, aparecem os jovens de 14 e 15 anos, que correspondem a 23,2%, e as crianças de 5 a 13 anos, com 18,7%. O levantamento também identificou que 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados nas chamadas piores formas de trabalho infantil, que envolvem atividades prejudiciais à saúde, à segurança ou ao desenvolvimento.
O perfil dos trabalhadores infantis aponta predominância de meninos, que representam 65,4% do total. As atividades não agrícolas concentram 83,3% dos casos, com destaque para os setores de comércio e reparação de veículos. Outro dado preocupante é a frequência escolar: entre crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, o índice é de 86,9%, abaixo dos 97,5% registrados para o conjunto da população dessa faixa etária.
O Bolsa Família também aparece entre os fatores associados à redução. De acordo com os dados, 144 mil dos 151 mil casos a menos registrados entre 2024 e 2025 ocorreram em famílias beneficiárias do programa, correspondendo a mais de 95% da queda total. A legislação brasileira proíbe qualquer trabalho antes dos 16 anos, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14. Para adolescentes de 16 e 17 anos, há restrições a atividades noturnas, perigosas e insalubres.(Foto: Reprodução/Ministério do Trabalho )
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