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Brasil

O Custo Social da “Motosserra”: O impacto real da proposta do modelo Milei nos números e na vida das pessoas

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A discussão sobre a importação do modelo econômico de Javier Milei para o Brasil — defendido por aliados e pela campanha de Flávio Bolsonaro — deixa de ser apenas um debate de palanque quando confrontada com dados e fatos econômicos concretos. Enquanto o Brasil mantém estabilidade sem hiperinflação ou endividamento crônico com o FMI, a aplicação de receitas liberais radicais na Argentina gerou um impacto profundo na economia real e no cotidiano da população.
Abaixo estão os dados consolidados que mostram o que significaria, na prática, adotar esse modelo no país:

1. Trabalho Informal e Precarização

  • 45% de Informalidade: Dados do setor de trabalho na Argentina mostram que o índice de trabalhadores na informalidade atingiu 45%. Em regiões periféricas e na Grande Buenos Aires, esse patamar chega a superar 47,5%.
  • Fechamento de Empresas: Desde o início da gestão ultraliberal, estima-se o encerramento das atividades de cerca de 30 mil empresas de pequeno e médio porte no país vizinho.

2. O Saldo Social e a Linha de Pobreza

  • Retomada da Pobreza: Após registrar oscilações severas no início da gestão, o índice oficial de pobreza na Argentina se situou em 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, com cerca de 7,5% (2,2 milhões de pessoas) em situação extrema de indigência.
  • Desemprego em Alta: A taxa de desemprego subiu para 7,9%, o patamar mais elevado registrado desde 2021.

3. O Impacto Prático no Orçamento Familiar (Simulação comparativa)

Se os indicadores de reajustes e desregulação de preços aplicados na Argentina fossem transpostos para o cenário brasileiro atual, o impacto nas contas das famílias seria drástico:
  • Tarifas Públicas: Indicadores de tarifas de serviços essenciais (como água, luz e transporte) acumularam altas expressivas na casa de centenas de porcento nos primeiros anos do modelo argentino. Aplicado ao Brasil, uma conta de serviços básicos de R$ 50 subiria para patamares superiores a R$ 530.
  • Perda de Poder de Compra: O salário mínimo real na Argentina acumulou perdas expressivas de poder de compra (cerca de 39% em termos reais no acumulado do período). Se replicado no Brasil, o salário mínimo nacional (atualmente em R$ 1.621) sofreria uma corrosão prática equivalente a uma redução para cerca de R$ 988 de poder aquisitivo real.
  • Preços de Combustíveis e Passagens: Simulações com base nos reajustes de passagens de ônibus e combustíveis em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo mostrariam passagens saltando de R$ 5 para mais de R$ 7,25, e a gasolina subindo de R$ 6,30 para a faixa dos R$ 8,00.
Os números demonstram que a busca por um ajuste fiscal a qualquer custo na Argentina cobrou um preço social severo. Para o Brasil, que possui outra estrutura econômica e rede de proteção social consolidada, importar esse modelo significa assumir um risco desnecessário de desestruturação das conquistas sociais da classe trabalhadora.

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