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Ceará

Estudantes cearenses desenvolvem biomaterial com potencial para regenerar pele e chegam à final de feira internacional

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Estudantes de uma escola pública de Cascavel, no litoral do Ceará, desenvolveram um biomaterial sustentável a partir de escamas de peixe e resíduos da cana-de-açúcar. O projeto, batizado de CellScale, foi selecionado para a final da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. A etapa final está prevista para ocorrer ainda neste mês.

A pesquisa foi desenvolvida por Ana Clara e Carlos Vinícius, da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Marconi Coelho Reis, com orientação dos professores Guilherme Maciel e Francisco Augusto. O trabalho surgiu a partir da observação de problemas ambientais existentes na região, como o descarte de escamas de peixe e a contaminação de açudes por óleo e corantes.

O material criado pelos estudantes consiste em uma estrutura porosa produzida com biocelulose obtida a partir de resíduos da cana-de-açúcar, integrada à hidroxiapatita extraída das escamas de peixe. Segundo os responsáveis pelo projeto, o biomaterial apresenta potencial para aplicações em regeneração de tecidos, produção de curativos e regeneração óssea. A pesquisa recebeu apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Embrapa para a realização de análises.

Além da aplicação na área da saúde, o CellScale também apresentou resultados em testes voltados ao tratamento de água. Conforme os dados divulgados pelo projeto, o material conseguiu remover 100% do corante azul de metileno e do óleo mineral utilizados nos experimentos, além de reduzir mais de 99,7% da cor aparente e 98,04% da turbidez da água. A estrutura pode ser reutilizada por até dez ciclos de filtragem, com custo estimado de R$ 0,02 por aplicação.

Para participar presencialmente da Mostratec, os estudantes precisam custear despesas como passagens, hospedagem, transporte e alimentação. A equipe iniciou uma mobilização com vaquinha e rifas para arrecadar recursos e viabilizar a viagem. A escola Marconi Coelho Reis também acumula participações em competições científicas nacionais e internacionais, incluindo a Regeneron ISEF, nos Estados Unidos. (Foto: Arquivo Pessoal)

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